sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017



Moçambique
e a
Casa do Gaiato

Já várias vezes tenho escrito sobre a Obra da Rua, do Pai Américo, sobretudo sobre a Casa em Moçambique, que conheci bem, desde 1971, e onde encontrei um Homem por quem todos os da minha família tinham imensa estima, o querido amigo Padre José Maria, que o Senhor chamou já para descansar.
A sua Obra naquelas terras moçambicanas, sempre coadjuvado pela fantástica Irmã Quitéria, é algo que só visto e, sobretudo, vivido, para se poder dar valor a quem tanto deu de si.
Moçambique é um país ingrato. Não me refiro a gente, que em todo o lado é boa, mas ao clima para agricultura.
No século XIX houve quem se atrevesse a escrever que as terras e o clima eram ideais para as culturas de climas temperados, incluindo trigo, e frutas que se dão em Portugal.
Brito Camacho que esteve em Moçambique como Alto-Comissário em 1921-22, descreve muito bem a panorâmica agrícola do país no seu livro “Moçambique”, e nega essa “miragem” sem que haja planificação e técnica suficientes. Algumas produções muito boas, naquela época, todas margeando os rios, raros os agricultores que bombeavam água, eram a prova de que com planificação... e capitais, a agricultura pode sair do nível de subsistência.
Lembro de conversas com colegas, em Angola, e mais tarde em Moçambique, quando algumas companhias poderosas produziam em quantidades industriais, sob um teto protecionista da metrópole, mas a população em geral não alcançava os níveis que lhe seriam devidos, concordando todos que o maior problema da agricultura em África eram “tubos”! Muita água nalguns lugares e secas imensas em outros. A água é a fonte da vida.
O homem branco cometeu o maior erro da sua vida, seguindo na costa do Índico o exemplo dos árabes, explorando o homem e não a terra, quando tudo era virgem. Ouro e marfim em Moçambique, marfim em Angola e sobretudo em ambos os lados, gente! Hoje o problema, sem a exploração das gentes com a escravatura é quase o mesmo, mas agora chama-se “tubos”.
A Casa do Gaiato, a 45 quilómetros de Maputo, tem uma área agrícola suficientemente grande. Os investimentos que até hoje nela têm sido feitos visam as populações carentes que a circundam. Além da Escola, dentro da Casa, com cerca de duzentos alunos, apoia outras numa área até 40 ou 50 quilómetros de distância, dando, pelo menos uma refeição diária a cerca de 800 alunos, além das creches com milhares de criancinhas, acompanhadas de suas mães, e ainda a 500 velhinhos que vivem em casas que a Obra da Rua construiu para quem tudo perdeu e nada têm.
E faz muito mais do que isto. Uma tarefa gigantesca.
Dar de comer a tanta gente, com a tremenda irregularidade de chuvas é uma roleta russa. Não chove, não produz alimentos para as pessoas, nem para os animais, que dão leite, carne e ovos.
Precisa de tubos! E tubos custam caro.
Tem agora um projeto que custará talvez um pouco mais do que um milhão de Euros (€ 1.000.000.) para construir uma conduta de um pouco mais de 5 quilómetros, para ir buscar água ao rio Umbeluzi. E toda a tubulação tem que ser enterrada bem fundo, para que não fique sujeita a que a perfurem para roubar água. Como se pode imaginar a Obra da Rua, Casa do Gaito, não tem esse dinheiro.
Tem a promessa, garantia, do empréstimo de uma escavadeira, já parece também que tem garantida a oferta do combustível – ainda há muita gente boa, graças a Deus ! – mas o mais pesado financeiramente é o custo dos tubos que deverão ser fabricados na África do Sul.
No jornal “O Gaiato” que sempre leio de ponta a outra, escreve o Padre Acílio, responsável pela Casa de Setúbal em Portugal:

Conduta de Água para a Casa de Moçambique
Eu não quero, não posso, não sou capaz de esquecer a necessidade urgente de levar água para a propriedade da nossa Casa. Pode parecer uma loucura, pela despesa que acarreta, mas eu prefiro ser alucinado que indiferente. (Padre Acílio: não é despesa, é investimento! Mas é um alto custo!)
Só uma terrível alienação pode fazer desaparecer o capital investido com o arroteamento do terreno fértil provido de um gigantesco pivô, capaz de regar vinte e cinco hectares de terra e arrancar boas colheitas de milho, feijão, mandioca, girassol, etc.
Não posso esquecer o espectro longínquo daquele pivô tão caro, abandonado à ferrugem e ao desuso.
Não me sai do coração tanta criança faminta, doente, necessitada de uma boa e variada alimentação a qual pode ser produzida no nosso terreno.
Eu não descansarei, já me comprometi com a Irmã Quitéria em avançar com a quantia equivalente a 30% da tubagem.
São cinco quilómetros de canalização e os tubos em polietileno e fibra de vidro, têm trinta centímetros de diâmetro, conforme o estudo feito por engenheiros creditados.
Tenho comigo cartas luminosas de dois padres, um com 400€ e outro com 250€ e um amigo com 2.000€.
Os três conhecem a Casa, o seu valor apologético e humano, amigos do Padre José Maria que está no céu.
Se quem pode não quer, tem que querer quem não pode. São assim as Obras de Deus. A gente arrisca na sua Providência.
Contamos com hipotéticas ajudas da Espanha e da Inglaterra, mas, por enquanto, são apenas conjecturas.  
O dinheiro já arrecadado ficará aqui; como um ovo no ninho, onde a galinha costuma pôr os ovos, a chamar outras que lá façam o mesmo.
Serão por volta de mil, os tubos que irão encaixar uns nos outros para o canal que tem de ser subterrâneo, os quais precisam de ser enco­mendados na África do Sul e o pedido exige uma percentagem do valor total, para ser executado pela fábrica. Isto quer dizer que tem de haver dinheiro para adiantar,       
Ora eis: Não vos recomendo que a vossa esmola seja enviada para aquele País, pois as pequenas quantias são engolidas pelos bancos, mas ponhais os vossos ovos neste ninho que é sério e bem guardado. Quando estiver cheio, dar-vos-ei contas e mandá-lo-ei junto, por ser mais barata a transacção, para a irmã Quitéria que sonha dia e noite com a água para produzir comida e alimentar a multidão de filhos que a rodeiam.
Façam um sacrifício: o quanto puderem depositem na conta do Casa do Gaiato, em Portugal:
IBAN: PT50 0045 3440 4021 8356 4277 8

Se quiserem depositar diretamente em Moçambique os custos são muito altos e o câmbio...
Então, por toda a parte onde chegar este apelo – Brasil, Portugal, Angola e Moçambique, Reino Unido, Canadá, Espanha e outros – por favor, metam a mão no bolso. Um pouco de cada um faz um bolo grande. Do tamanho que todos nós quisermos.
Obrigado, desde já, em nome dos milhares de seres que em Moçambique vivem, só Deus sabe como.
Infelizmente não podemos acudir a todos os miseráveis do planeta. Mas...
O que fizerdes ao mais pequeno dos vossos irmãos, é a Mim que o fazeis.”

Atenção: Não custa nada pedir a todos que lerem este apelo que o compartilhem: no Facebook e outros, blogues e até, se possível em jornais, rádios e Tvs.


Rio de Janeiro, 03/02/2017

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